
História
Origens
A história documentada do café teve início no século XIV. Porém, há lendas e suposições sobre a utilização do café muito mais antigas. É o caso da lenda de Kaffa, uma província no sudoeste da Etiópia. Esta lenda conta que por volta do século III d.C., certo pastor de cabras percebeu que os animais estavam mais despertos e agitados que de costume. O pastor pediu a ajuda de monges de um mosteiro vizinho para saber o que estava acontecendo. Os monges, então, descobriram um arbusto, de cujas bagas os animais se alimentavam. Pensaram que eram “frutos do demônio” e os jogaram na fogueira. O cheiro agradável chamou a atenção dos monges que passaram a ferver os frutos na água e a beber a poção, a qual fazia com que ficassem por mais tempo acordados para suas orações.
Ainda há dúvidas se o nome “café” é originário da Kaffa, local de origem da planta, ou da palavra árabe qahwa, que significa vinho.
Dispersão
Acredita-se que, no ano de 525, invasores etíopes cruzaram o mar Vermelho levando com eles o café, dali levado por mercadores e viajantes à Arábia do Sul (atual Iêmen). Também são muitas as lendas árabes envolvendo o café, mas o fato é que os árabes realmente dominavam o cultivo e o preparo do café.
Em 1000 d.C., os árabes começaram a preparar uma infusão com as cerejas, fervendo-as em água. Somente no século XIV, na Pérsia, o processo de torrefação foi desenvolvido, e finalmente a bebida adquiriu um aspecto mais parecido com o dos dias de hoje.
Durante muito tempo o consumo de café ficou restrito a região árabe. No final do século XV, surgiram as primeiras casas de café em Meca de onde o café se expandiu para o mundo islâmico e depois para o restante do Oriente Médio.
A entrada no mundo cristão
Por volta de 1600, o café foi objeto de inúmeras discussões doutrinárias entre líderes católicos europeus, pelo fato desta bebida ser consumida pelos “infiéis mulçumanos”, povo considerado pagão para os cristãos. Para decidir a questão – se a população cristã poderia ou não beber café – o Papa Clemente VIII experimentou a bebida e, ao invés de condenar, abençoou o café.
A partir de 1706 as colônias holandesas, que haviam começado suas plantações em 1658, passaram a abastecer toda a Europa, tornando-se o primeiro grande produtor e exportador mundial de café.
Lojas para servir café foram abertas nas grandes cidades européias ao longo do século XVII e algumas se tornaram famosas graças à clientela que reuniam.
Da França o café foi para a Martinica, nas Antilhas, e para a América Central, Guiana Francesa e Ilhas Maurício. Foram os franceses que também plantaram café em Tonquim, hoje Vietnã.
O café chegou aos Estados Unidos por volta de 1668. Porém, as primeiras cafeterias surgiram mais de vinte anos depois, em 1691, em Boston. Com o tempo esse país passou a ser o maior consumidor mundial de café.
A planta só chegou à Colômbia, atualmente um dos maiores produtores de café, no final do século XVIII, por padres espanhóis.
No Brasil
Em 1727, a Coroa Portuguesa enviou à Guiana Francesa uma expedição, cujo principal motivo era tentar trazer sementes de café, extra-oficialmente, já que na época não era permitida a comercialização dos mesmos. Assim foi feito e as plantas foram cultivadas no Pará e no Maranhão, dando início à cafeicultura no Brasil.
No Rio de Janeiro também vieram plantas da Índia e, a partir de então, a cultura expandiu-se de maneira rápida. Incentivados pelo Vice-Rei Marquês do Lavradio, e pelas condições climáticas favoráveis, o café passou a ser cultivado por fazendeiros do sul e sudeste. As plantações de café foram fundadas em grandes propriedades monocultoras trabalhadas por escravos. E, antes mesmo das primeiras discussões sobre a abolição, cafeicultores iniciaram o assentamento de imigrantes nas fazendas de café, com o intuito de prover seus empreendimentos de mão-de-obra.
Constituiu-se, assim, um dos ciclos econômicos mais importantes do Brasil. Desde então, a produção de café no país apresentou tempos de expansão e de crise de acordo com as variações na economia mundial. Hoje os principais estados produtores de café são Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Curiosidades sobre a história do café
1. O primeiro café público na Inglaterra surgiu em 1650. Desde então, as casas de cafés eram freqüentadas assiduamente por homens profissionais como médicos, físicos, artistas, matemáticos, filósofos, conservadores e revolucionários… Em 1674, as mulheres de Londres publicaram um documento contra o café, alegando que os homens preferiam ficar se divertindo nas cafeterias a ficar em casa cumprindo seus deveres.
2. Em 1475, foi promulgada uma lei árabe permitindo à mulher pedir o divórcio, se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade diária da bebida.
3. A Floresta da Tijuca, bem como o complexo formado pelo Morro da Urca e do Pão de Açúcar, já abrigaram extensos cafezais durante o século XIX. Um militar, comandando um pequeno grupo de escravos, foi incumbido de repovoar com espécies nativas toda a região, seguindo a orientação de Dom Pedro II. Este temia que o desmatamento acarretasse o desabastecimento de água potável para o Rio de Janeiro.
4. O historiador Afonso de Taunay é o autor da maior obra sobre um único tema: História do Café no Brasil – com 15 volumes e 6.650 páginas.
5. Alberto Santos Dumont era filho de um grande cafeicultor da região de Ribeirão Preto, estado de São Paulo. Dizem que Santos Dumont descobriu sua vocação para mecânica enquanto brincava de montar e desmontar a máquina de beneficiamento de café.
6. Com a “Crise de 29”, milhões de sacas de café estocadas foram queimadas e milhões de pés de café foram erradicados no Brasil, na tentativa de estancar a queda contínua de preços provocada pelos excedentes de produção.
7. O Brasil é o maior produtor e o segundo maior consumidor de café do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos.
8. Os primeiros expressos em Portugal foram vendidos no café A Brasileira, em Lisboa. Muitos clientes acharam o gosto do produto um tanto amargo. Para contornar o problema, a direção da cafeteria criou um slogan para atrair os clientes: Beba Isso Com Açúcar. A campanha deu certo e a frase ficou tão marcada que o uso das iniciais de cada palavra – bica – passou a ser sinônimo de cafezinho no país.
9. O café coado é o mais consumido no Brasil (93%), seguido do instantâneo (15%), do cappuccino (11%) e do expresso (8%).
10. Em 24 de maio é comemorado o Dia do Café.
11.A designação “espresso” com ‘s’ é a usualmente correta, pois significa café retirado sob pressão, diferente do “expresso” com ‘x’, que significa rapidez no preparo. O nome “espresso” surgiu na Itália, onde o processo foi popularizado em 1946, quando o seu inventor, Achille Gaggia, começou a vender máquinas de café sob pressão.
Abraços